quarta-feira, 21 de maio de 2008

Vila do Sossego


Oh, eu não sei se eram os antigos que diziam
Em seus papiros Papillon já me dizia
Que nas torturas toda carne se trai
Que normalmente, comumente, fatalmente, felizmente,
Displicentemente o nervo se contrai, oh, com precisão


Nos aviões que vomitavam pára-quedas
Nas casamatas, caso vivas, caso morras
E nos delírios meus grilos temer
O casamento, o rompimento, o sacramento, o documento
Como um passatempo quero mais te ver, oh, com aflição
Meu treponema não é pálido nem viscoso
E os meus gametas se agrupam no meu som
E as querubinas meninas rever
Um compromisso submisso, rebuliço no cortiço
Chamo o Padre "Ciço" para me benzer, oh, com devoção

terça-feira, 20 de maio de 2008


Ovini

01h00min foi quando eu acordei. Ainda sonolenta, me sentei na cama e pus meus pés quentes no chão gelado. Observei os desenhos de estrelas e planetas na minha parede azul. Que lugar mágico! Percebi uma forte luz amarela irradiando da janela. Levantei-me e fui ver o que era aquela claridade estranha. Olhei pela janela, mas não consegui identificar nada, abri. Não acreditei naquilo! Não podia ser! Parecia um sonho. Parecia com todos os meus sonhos e com tudo que eu imaginava. De repente senti medo, pensei em me esconder de baixo da cama, entretanto eu não despregava o nariz da janela. Se eu tivesse coragem de pular... Se eu pudesse ir até lá... E se eles me fizessem mal? Incrivelmente, naquela noite eu pensei rápido, desci as escadas correndo, do jeito que estava. Cheguei perto do monumental objeto que havia estacionado no meu quintal e fiquei de boca aberta, ainda não estava acreditando. Eu estava tão feliz. Permaneci perplexa por um bom tempo, até que um movimento estranho me fez ficar nervosa. Seriam eles? Não! Não podia ser. Ainda nem estamos em 2012!Corri. Escondi-me atrás de um arbusto. Esperei que eles descessem. O que não aconteceu. Saí de trás do arbusto e eles me viram. Corri para dentro de casa, fui para o quarto dos meus pais. Deus! Eu nunca vou me esquecer daqueles olhos gigantes e fulminantes. Talvez não fulminantes, mas como eu saberia? Nunca vou saber o que eles queriam, por que vieram para a minha casa, muito menos por que me olharam daquele jeito. Agarrei meus pais o mais forte que pude e logo peguei no sono. Acordei no outro dia e fui até a janela do meu quarto na esperança de confirmar as minhas visões da noite anterior, mas já não havia nada no quintal. Será que eu havia enlouquecido? Tomei banho, depois o café e saí para a escola. Então quando pisei do lado de fora, me deparei com formas geométricas perfeitamente simétricas e completamente sem sentido. Foi real.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Fragmentos de dispersão

Eu não consigo me concentrar!
Eu me distraio com o movimento do cabelo cheio de formas da menina da frente.
Me deixo seduzir pelo brilho do Rolex no pulso gordo do professor.Pelas frases escritas a esmo no quadro por alunos bagunceiros.
Eu não consigo me fixar!
Não consigo pôr os pés no chão!
A minha cabeça se prente à detalhes irrelevantes.
Volta e meia me deixo levar por sonhos absurdos,verdadeiras regressões.
Imaginação à solta. Indomável.
Não tenho o domínio sobre isso.
Desatino a pensar e repensar mas nunca chego a nenhuma conclusão.
Pensamentos infiéis,que me traem o tempo inteiro.
Me usam e me traem.Eu sou uma vítima no final das contas.
Vítima de pensamentos contraditórios e inconstantes.Vítima de mim mesmo?

terça-feira, 13 de maio de 2008

Mar de leite

Isso aí!Grande decepção eu tive esses dias, por conta de uma notícia que me tirou o chão!
Não,não, também, não é pra tanto, mas de fato eu fiquei meio chateada com a atitude do diretor de cinema Fernando Meireles(Cidade de Deus, Abril Despedaçado) que fez recentemente um filme baseado no livro Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago. Bem, a questão é que Fernando Meireles roubou minha idéia! SIM, ele me plageou!
Eu li o livro do Saramago no começo desse ano,achei genial e pensei: "um dia farei um filme baseado nesse livro!"Mas acho que tive a idéia tarde demais,pois o grande diretor brasileiro já fez um filme, que inclusive abriu o festival de Cannes( evento de premiação de filmes que acontece anualmente no mês de maio na França) deste ano.
Bom,agora não adianta mais chorar "o leite derramado", é como alguns amigos disseram, haverão outros bons livros a serem passados para pelicula.

Confiram o trailer do filme e mais algumas informações:http://cinema.uol.com.br/ultnot/2008/04/04/ult4332u723.jhtm


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Isso foi só uma brincadeira.É claro que o Fernando Meireles teve a idéia bem antes de mim.
heheh
ah!O filme estréia em setembro deste ano.
abraços a todos!

=]

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Fragmentos

De repente me encontrei perdida.No lugar onde eu havia feito minha morada, onde eu criei raízes.Já não reconheço o aconchego tão familiar que outrora me atraia e me enchia de conforto.
Tudo andava tão bem; o amor reinava, a paz e os sonhos. Mas é já que se tornaram pó,perderam seu brilho. Aquela nuvem cinza-escuro decidiu estacionar por sobre o meu lar.
Minha cabeça não é mais a mesma.Convivem junto com o amor (pois este é inabalável) o desespero, a angustia, a profunda frustração dos sonhos interrompidos na metade.Somando-se a isto ainda existe a sensação de dever não cumprido.Tão dolorido tudo isso,tão sofrido.Um enorme fardo para alguém tão pequeno.
De fato a dor da culpa é o pior de todos os sentimentos.Este é o alimento para a malvada nuvem cinza-escuro que não vai embora.
Permaneço assim,mas conservo fragmentos de esperança,pois desta fui recompensada.